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O truque controverso do "Observador" e as suas vantagens

O "Observador", jornal "on line" de poucos recursos, tem andado a pôr em prática um truque que, quase nem se notando nas guerras secretas da comunicação social, tem duas vantagens, para o próprio "Observador" e para o público. Em certo tipo de notícias ("caso Sócrates", por exemplo) resume o que outros jornais apenas titulam nas suas edições "on line", fechando os conteúdos por completo ("Correio da Manhã", que os reserva para a edição em papel) ou limitando-lhes os acessos ("Público", cujas limitações podem ser furadas por uma navegação anónima).   Deste modo, o público passa a aceder directamente ao conteúdo da notícia (sem ter de o pagar) e a concorrência é minada (porque o conteúdo exclusivo deixa de ser apelativo e é menos vendável). É legítimo (os jornais podem replicar os conteúdos exclusivos dos outros, desde que citem a origem) mas não deixa de ser controverso.
Costa Cardoso

É preciso o Estado?

Todos os dias se estão a ver desmandos provocados pelo Estado. São autoridades que atropelam desavergonhadamente a lei, são impostos em excesso, são políticos que terão enriquecido à custa do Estado. O Estado é novamente o Leviatã acerca do qual escrevia Hobbes. 
Por isso, tem pertinência a questão: é mesmo necessário existir um Estado? As pessoas não se podem organizar de outra forma? Não servirá o Estado apenas para fazer predominar uns sobre os outros?
É sabido que as primeiras sociedades estavam organizadas de modo simples, tinham poucas riquezas e um tendência colectiva e igualitária. Paulatinamente, as sociedades foram mudando e tornando-se cada vez mais complexas, satisfazendo mais necessidades. No meio disto tudo surge um Estado poderoso e organizado.  O argumento essencial em defesa do Estado, é que sem Estado não existiria uma força que organizasse a sociedade e que sobretudo evitaria que uns prejudicassem os outros. Sem Estado, cada um roubaria o outro quando necessitasse, cad…

"Objectividade" sindical, não jornalística

O "Público", que já quis ser um farol da objectividade jornalística, manda diariamente às malvas todos os bons princípios do jornalismo.  Hoje faz manchete com a frase "Sindicato exige saída de Paulo Núncio e diz que lista VIP teve aval político". E o que é que sustenta a afirmação? Isto, só: "Paulo Ralha [presidente do sindicato] Paulo Ralha diz, no entanto, não ter prova 'palpável' de que secretário de Estado Paulo Núncio tivesse conhecimento deste procedimento."
Costa Cardoso

"E como o anel terminou com a mulher viking?"

A frase tem dois significados: o anel ficou na posse de uma mulher viking, ou o anel matou a mulher viking. No original deve ter sido algo como "How did the ring end up with the Viking woman?". Ou seja, a primeira interpretação é a correcta (numa matéria sobre a ligação entre os vikings e o mundo árabe, no "Observador") mas a tradução, óbvia, de um texto em língua estrangeira por alguém que até pode saber alguma coisa de jornalismo mas menos ainda de tradução, dá asneira. E este exemplo é só o mais óbvio.
Costa Cardoso

A pergunta que, para começar, todos os jornalistas deviam fazer

Os dados fiscais de toda a gente (políticos, banqueiros, jogadores de futebol, jornalistas, vizinhos, amigos e inimigos) estão mesmo, com toda a certeza, a salvo de qualquer tipo de curiosidade dos próprios funcionários da Autoridade Tributária?  
Costa Cardoso

Os heróis do "Público"

Grande título no jornalismo de causas do diário de Belmiro de Azevedo: "Grécia em contra-relógio impõe-se no Conselho Europeu". Aguardam-se as fotografias exclusivas do "Público" com os dirigentes da União Europeia de joelhos no chão, em preito de homenagem ao governo grego...
Costa Cardoso

O alegado jornalismo

Na CMTV, na notícia sobre o atentado no museu tunisino, fala-se em "alegados terroristas". Um dia destes falar-se-á em "alegado atentado", em "alegados mortos", em "alegadas Kalashinovs". Só não se fala, e é pena, dos alegados jornalistas que parecem deixar todas as madrugadas os cérebros a marinar nos bares da moda do Bairro Alto. 
Costa Cardoso